"Eu adorava ver ele jogando no Santos, tão jovem, menino de ouro”, diz o segundo comentário.
Uma brincadeira de mau gosto deixou a ex-dançarina do É o Tchan Carla Perez indignada. Numa montagem, que circula na internet, a loira se confunde e lamenta a morte do jogador do Santos, Neymar: “O futebol brasileiro nunca mais será o mesmo sem você, descanse em paz Neymar”, diz o primeiro comentário postado no dia que o arquiteto Oscar Niemeyer morreu, na última quinta-feira. "Eu adorava ver ele jogando no Santos, tão jovem, menino de ouro”, diz o segundo comentário.
Procurada pela coluna Retratos da Vida, a apresentadora se recusou a comentar o assunto, mas desabafou no seu Instagram. “Meus amores, por favor não deem atenção a essa bobagem não! Isso é mais uma brincadeira de mau gosto no pior momento, pois o país ainda está se refazendo da grande perda do nosso querido Oscar Niemeyer. A pessoa que cria uma coisa assim é insensível, sem noção e sarcástica. Não é tudo que se pode fazer piada!!! Ainda tem pessoas inocentes, ludibriadas que acabam acreditando num absurdo desse. Deus abençoe a todos”, escreveu Carla.
O arquiteto Oscar Niemeyer, de 104 anos, morreu nesta quarta
(05/12) no Rio. Ele estava internado desde 2 de novembro, no Hospital
Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul. Niemeyer completaria 105 anos no
dia 15 de dezembro. A morte dele foi confirmada às 21h55 (horário de
Brasília).
Hoje, um boletim médico informava que o estado de saúde do
arquiteto havia piorado e era considerado grave. Segundo o hospital,
Niemeyer respirava com a ajuda de aparelhos e encontrava-se sedado por
causa de uma infecção respiratória.
O hospital informou também que a piora do quadro clínico do
paciente aconteceu após a visita do médico Fernando Gjorup nesta
quarta-feira.
O Brasil conquistou seu lugar na história da arquitetura mundial
graças a Oscar Niemeyer Ribeiro Soares Filho, cujas obras -
prédios-esculturas - estão presentes não só no Brasil, mas também nos
Estados Unidos, França, Alemanha, Argélia, Itália e Israel, entre outros
países.
Apesar de sua preocupação com a funcionalidade das obras que
criou, sua atenção à estética é mais que evidente. A maioria dos
arquitetos reconhece nele um desenhista extraordinário. Além disso, em
geral se associou a grandes artistas plásticos para completar suas
construções: Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Burle
Marx e Tomie Othake.
História
Nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer cresceu na Zona
Sul do Rio de Janeiro. Em 1928, casou-se com Annita Baldo, com quem
teve uma única filha, Anna Maria.
Sempre gostou de desenhar e este dom lhe levou à arquitetura. Em
1929, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes e, em 1932, iniciou
sua carreira no escritório de Carlos Leão e Lucio Costa, por meio de
quem conheceu Le Corbusier, em 1936.
Do arquiteto franco-suíço, absorveu os princípios básicos da
arquitetura moderna. A convergência de opiniões era tanta que a própria
obra de Le Corbusier acabou tomando um novo rumo após o contato com o
brasileiro.
Divisor de águas
Na primeira fase da carreira, o arquiteto projetou o Conjunto
Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), uma de suas
obras-primas, que o tornou conhecido em todo o mundo. O destaque do
complexo, concluído em 1943, é a Igreja São Francisco de Assis, em que
um único elemento construtivo – uma abóbada parabólica erguida em
concreto armado – serve de teto e parede. “Trata-se de um dos trabalhos
mais marcantes de Niemeyer, pelo viço inovador que contém”, destaca
Abilio Guerra, professor da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius.
O ano de 1945 marca o ingresso de Niemeyer no Partido Comunista
Brasileiro. Anos mais tarde, ele seria o responsável pelo projeto da
sede do Partido Comunista Francês, uma de suas obras preferidas, pela
qual não cobrou nada.
Outro importante projeto deste período foi a sede da ONU, em Nova York, no qual Niemeyer trabalhou ao lado de Le Corbusier.
Em 1953 é concluída a obra da Casa das Canoas, que serviria de
residência para o arquiteto e sua família até a ida à Brasília. A laje
sinuosa sustentada por pilotis é rodeada por jardins projetados pelo
paisagista Roberto Burle Marx, parceiro de Niemeyer em muitos trabalhos.
O ano seguinte é marcado pelos 400 anos de São Paulo, que
ganharia uma série de obras emblemáticas na ocasião. O maior “presente”
foi o Parque Ibirapuera, que marcava o início de uma identidade estética
para a cidade.
Ida à França
Com a ditadura instaurada em 1964, os projetos de Niemeyer passam
a ser recusados. No ano seguinte, ele se junta a centenas de
professores e pede demissão da Universidade de Brasília, onde lecionava.
Niemeyer vai, então, a Paris, onde haveria uma exposição sobre
sua obra, e acaba ficando por lá, pois estava impedido de trabalhar em
território brasileiro. Com escritório montado na capital francesa, o
arquiteto projeta a sede do Partido Comunista Francês, a Universidade
Mentouri de Constantine, na Argélia, e a Editora Mondadori, na Itália,
além de outras obras no restante da Europa e na própria França, como o
Centro Cultural Le Havre e a Bolsa do Trabalho de Bobigny.
Com a colaboração de sua filha Anna Maria, Niemeyer lança, em
1971, a sua primeira linha de mobiliário, que só seria fabricada no
Brasil em 1978, pela Tendo Brasileira.
De Volta ao Brasil
Já de volta ao Brasil, Niemeyer desenha os Cieps, escolas
públicas amplas e funcionais que marcariam o governo de Leonel Brizona,
no Rio de Janeiro. E, para a capital do Estado, o arquiteto cria o
projeto que daria forma a uma de suas obras mais vistas em todo o mundo:
a Passarela do Samba, por onde desfilam anualmente as agremiações
fluminenses
Em 1987, surge o Memorial da América Latina, um centro dedicado à
história e à cultura latino-americanas. Em 1988, recebeu o mais
importante prêmio da arquitetura mundial, o Pritzker. O reconhecimento
veio também no ano seguinte, na Espanha, com o prêmio Príncipe de
Astúrias. Em retribuição, Niemeyer projetou, em 2006, o centro cultural
que seria inaugurado em 2010.