Uma das quatro mulheres que denunciaram o pastor Fadi Faraj por abuso sexual conversou falou ter sido chamada por Fadi a uma salinha de oração da igreja Ministério da Fé, em Taguatinga (DF), onde o pastor e líder do templo teria apalpado os seios dela sob o pretexto de “orar para livrá-la de um mioma”. As informações são do Metrópoles.
“Ele me chamou para fazer oração e eu fui na inocência. Chegando lá, ele orou, pegou nos meus seios e desceu para as genitais. Pegou na minha vagina. Saí correndo e nunca mais voltei àquela igreja”, disse.
A fiel diz ainda ter sentido muita vergonha. Segundo ela, o caso ocorreu em 2010, mas só agora, nove anos depois, ela teve coragem de denunciar Fadi. “Não quero que ninguém mais passe por isso. As pessoas têm medo de contar, mas precisam denunciar”, afirmou.
Ela faz parte de um grupo de quatro mulheres que frequentavam o Ministério da Fé e acusam Fadi Faraj de assédio e abuso sexual. Além dela, existem casos que ocorreram entre 2005 e 2010, mas só vieram à tona recentemente.
Fadi, que é segundo suplente do senador José Antônio Machado Reguffe (Podemos-DF), é chamado de “apóstolo”, o cargo mais alto do templo religioso no qual a irmã dele – a ex-deputada distrital Sandra Faraj (PTB) – também prega.
“Ele pregava bem, pelo que me lembro. E tem uma questão de hierarquia. Tudo é muito estranho. Pastor nenhum deveria fazer isso. À época eu tinha entre 17 e 18 anos”, relatou a mulher, que hoje trabalha como manicure e não é mais praticante da religião evangélica. “Deixei de seguir por causa disso”, completou.
A coragem da manicure de ir à Promotoria de Justiça de Taguatinga, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), no dia 22 de agosto deste ano, para denunciar o pastor, surgiu quando ela conversava com outras duas amigas, e todas perceberam que tinham histórias parecidas. “Ele levava as meninas para essa ‘sala de oração’ e fazia essas coisas, além de propostas. A mim, ele perguntou: ‘Você gosta de sair?’. Eu disse que sim, e ele me ofereceu R$ 200 para sair com ele e ‘se divertir’”, contou.
Além dessas três, há outra denunciante: ela chegou a relatar os supostos abusos em vídeo gravado ao lado da mãe. Nas imagens, a moça narra ter passado por um ritual de “quebra de maldição”, no qual o tratamento era feito por meio de relações sexuais para “afastar os demônios que estavam no corpo dela”. A gravação foi feita em 2009, mas circulou na semana passada, quando o caso foi revelado pelo jornal O Livre, parceiro do Metrópoles em Mato Grosso. A reportagem também teve acesso ao material.
As investidas do apóstolo da igreja Ministério da Fé teriam cessado em 2007. Mas somente em 2009 – portanto, dois anos após o fim dos abusos –, quando a mulher ficou noiva e contou os possíveis abusos ao noivo, é que ela resolveu denunciar o caso. Segundo o vídeo, a situação teria sido levada a um Conselho de Pastores. “Eu achava que era para a quebra da maldição, que era pela minha família. Tinha pesadelos, era uma coisa diabólica”, disse.
Na sexta-feira (18/10/2019), Fadi Faraj afirmou ao Metrópoles que as acusações “são um absurdo, uma mentira”. “Meu Deus, não sabia dessas acusações. Só Deus vai saber por que estão fazendo isso contra mim”, disse.
Em 2018, Fadi Faraj concorreu ao Senado pelo Distrito Federal. Ele ficou em quarto lugar, com 268.078 votos, mas não se elegeu. Ficou atrás de Leila do Vôlei, Izalci Lucas e Cristovam Buarque.
Operação Heméra
Fadi Faraj e a irmã dele, a ex-deputada distrital Sandra Faraj, foram investigados no âmbito da Operação Heméra (deusa grega da mentira), que apurou, em 2017, um esquema de uso irregular de verba indenizatória, além da suposta cobrança de parte dos salários de servidores comissionados nomeados pela parlamentar – ou por indicação dela e do irmão – na estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF) e da Câmara Legislativa. Porém, o caso foi arquivado pela Justiça.
Fadi Faraj e a irmã dele, a ex-deputada distrital Sandra Faraj, foram investigados no âmbito da Operação Heméra (deusa grega da mentira), que apurou, em 2017, um esquema de uso irregular de verba indenizatória, além da suposta cobrança de parte dos salários de servidores comissionados nomeados pela parlamentar – ou por indicação dela e do irmão – na estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF) e da Câmara Legislativa. Porém, o caso foi arquivado pela Justiça.
Por Manoela Alcântara

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