A Polícia Federal, através de uma perícia, descobriu que os sapatos utilizados na reconstituição da Polícia Civil não eram os da universitária Fernanda Lages.
BÁRBARA RODRIGUES DO GP1
Atualizada em 16/03/2012 - 17h03
Imagem: Reprodução
Fernanda Lages
Os promotores Ubiraci Rocha e Eliardo Cabral fizeram duras críticas contra o trabalho
realizado pela Polícia Civil no caso da estudante Fernanda Lages que
foi encontrada morta no dia 25 de agosto de 2011 no prédio em obras do
Ministério Público Federal. Em entrevista ao Jornal do Piauí, da TV
Cidade Verde, os promotores criticaram a atuação da Polícia Civil,
principalmente em uma possível contaminação dos policiais no local do
crime da estudante, o que teria prejudicado a investigação.A amiga da estudante Nayra Veloso, mais conhecida Nayrinha, foi presa ontem (15). Ela foi presa após o juiz Antônio Noleto expedir um mandado de prisão de cinco dias na manhã de quinta-feira (15) e foi encaminha ao presídio feminino.
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O promotor Ubiraci Rocha afirmou que a Polícia Federal encontrou erros no trabalho realizado pela Polícia Civil no caso Fernanda Lages. Um dos problemas seria a contaminação do local do crime. “No dia 2 de março eu pedi ao delegado do caso que levasse um documento sigiloso para casa e se debruçasse sobre ele. Logo no início da semana foi formalizado o pedido e logo já veio ao nosso parecer, uma posição favorável à prisão de Nayrinha. No dia seguinte, a autoridade policial pediu que fosse suspensa a autorização da prisão porque a perícia identificou um problema no sapato da Fernanda. Depois de pedir um sapato da policial que fez o papel de Fernanda na reconstituição realizada pela Polícia Civil, um dos lugares que ela passou foi exatamente próximo ou onde Fernanda se encontrava. Então havia aí uma confusão, se era o sapato da Fernanda ou da policial. Então o delegado do inquérito teve que pedir uma nova perícia em Brasília, que amplia o objeto que está sendo analisado. No momento eu percebi um desapontamento da autoridade que preside o inquérito e eu também fiquei desapontado”, disse o promotor.
Imagem: Manuela Coelho/GP1
Promtor Ubiraci Rocha.
Críticas à Polícia Civil
O promotor Ubiraci Rocha fez duras críticas à atuação da Polícia Civil no caso, principalmente por não ter trabalhado com a informação de que Nayrinha e um homem teriam estado horas antes do crime com a estudante Fernanda Lages, em frente ao prédio em que esta foi encontrada morta. “Eu aproveito esse momento para pedir que as autoridades públicas façam uma reflexão, essa polícia do jeito que está aí, esse aparelho de segurança do jeito que está montado aí, ele é imprestável para a sociedade do Piauí. O erro é natural, mas há erros que são primários para quem se diz profissional. Esse aspecto que nós revelamos é algo que nos deixou realmente desanimados, como é que se faz uma reconstituição para esclarecer a investigação e não se tem o cuidado de fazer a simulação no local onde a jovem se encontrou com Nayrinha e com um rapaz. Não foi dada a atenção devida a um fato que para o Ministério Público é o ponto crucial”, disse Ubiraci.
O promotor afirmou que se o crime não for solucionado, será por causa do trabalho realizado pela Polícia Civil. “Para se solucionar um crime, 90% vem da preservação do crime. Então estamos, a meu ver, com uma polícia amadorística, que não serve mais para a população. É uma roupa que não serve mais. Não podemos tratar um crime, que teve a repercussão como esse, de maneira amadora. Se a Polícia Federal, ao final, não concluir um resultado aceitável, eu entendo que isso se deve ao trabalho amador da Polícia Civil que não preservou o local onde ocorreu o possível crime”, afirmou Ubiraci Rocha.
Prisão de Nayrinha
Imagem: Reprodução
Nayrinha e Fernanda Lages
O promotor Ubiraci Rocha afirmou que se a amiga de Fernanda Lages não colaborar, ela pode ser responsabilizada sozinha pelo crime. “A Nayrinha se encontra hoje na seguinte situação, se ela falar o que sabe, ela permanece na condição de testemunha, se ela não falar o que sabe, o seu comportamento se caracteriza, primeiro, como falso testemunho que tem uma pena de reclusão de uma a três anos de multa e no tocante há um possível homicídio, ela se coloca na condição direta de participação”, disse o promotor.
O promotor falou da conversa que teve com Nayrinha após a sua prisão. “Conversei sozinho com ela, que a meu ver esteve muito próxima de Fernanda e sabe com certeza quem era a pessoa que estava com ela em frente ao prédio do MPF. Ela nega que esteve lá, mas eu disse que nós temos provas de que ela esteve lá e que cabe a ela dizer quem era o homem que a acompanhava”, disse o promotor que afirmou que o pedido de prisão pode ser estendido.
“A prisão de Nayrinha é uma chave que vai destrancar as portas dessa investigação. Vamos descobrir a verdade nesse caso, que é o homicídio”, finalizou o promotor Eliardo Cabral.
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