A Promotoria de Justiça de Paes Landim ajuizou ação civil pública em
razão das obras inacabadas iniciadas pelo Estado do Piauí, e que estão
entregues ao abandono. Segundo o representante do Ministério Público na
cidade, não existe cronograma para conclusão ou pelo menos um calendário
programático para esclarecimento dos cidadãos. A Promotoria de Justiça
mencionou cinco casos, sendo que já foram ajuizadas outras ações civis
públicas e ações criminais relacionadas às demais obras inacabadas.
A vistoria realizada pelo próprio Ministério Público constatou que o
prazo para construção do Balneário Poço Jorrante e do Hotel Fazenda foi
indefinidamente prorrogado por aditivos contratuais com a empresa
responsável. O prazo inicial era de 150 dias. Em agosto de 2009, foram
pagos R$ 143.100, 36. Até então, as instalações elétricas não foram
concluídas; dois prédios foram levantados e receberam telhados, mas não
foram pintados e nem têm pisos. O valor total do contrato é R$ 715.501,
82. A Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (EMGERPI) é responsável
pela obra.
Outra obra de responsabilidade da EMGERPI é a construção do Centro
Cultural de Paes Landim, com valor total de R$ 186.095,30. O prazo para
conclusão era de 180 dias. Segundo os policiais da cidade, a obra foi
paralisada pouco antes das eleições de 2010. Foi erguido o alicerce com
tijolos crus, e não há telhado nem piso. A estrutura do aeroporto também
está incompleta. O local, cuja obra correspondente totalizou R$
798.492,64, não conta com iluminação; o asfaltamento da pista é
deficiente e há um terreno desocupado que provavelmente estaria
destinado à construção de um ponto de apoio.
No estádio municipal, obra sob a responsabilidade da Fundação de
Esportes do Piauí (FUNDESPI), só foi erguido o muro. Há tijolos e areia
no chão do local. Os custos somam R$ 238.466,97. O Ministério Público
aponta ainda a construção de cinquenta unidades habitacionais. Já foram
pagos 51,5% do valor do contrato, mas só 16,47% da obra estão
executados. Nenhuma das casas foi plenamente construída. Cerca de doze
foram erguidas, sem piso, banheiros e acabamento. Depois de anos de
paralisação, a população invadiu as unidades. Algumas famílias estão
concluindo as obras por conta própria.
O Ministério Público se preocupa principalmente com o desperdício de
recursos. O abandono das obras frequentemente inviabiliza a retomada,
porque as construções ficam expostas à ação do tempo e às intempéries.
Assim, só uma nova obra poderá recuperar as estruturas, o que significa
que toda a verba anterior foi desperdiçada em uma construção que não
produziu nenhum benefício econômico ou social. E, mesmo sem a conclusão
de nenhuma das obras iniciadas, o Estado do Piauí continua investindo em
novas, prática que vem transformando a cidade de Paes Landim num
verdadeiro “cemitério de obras”.
A Promotoria de Justiça requereu que o Poder Judiciário determine que o
Governo do Estado se abstenha de executar qualquer dotação orçamentária
para novas obras previstas, até que sejam disponibilizados recursos
para as construções mencionadas. O Ministério Público também quer que a
Procuradoria-Geral do Estado faça um levantamento com todas as obras
inacabadas para verificar os motivos do atraso e tomar as medidas
administrativas, financeiras e judiciais cabíveis para a conclusão ou
recuperação dos valores pagos antecipadamente. Caso o pedido seja
considerado procedente, o Estado do Piauí deverá concluir todas as obras
cujos contratos administrativos já foram celebrados, agindo de forma
ininterrupta.

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