A Justiça condenou Lindemberg Alves na tarde desta quinta-feira (16) a
98 anos dez meses anos de prisão pela morte de Eloá Pimentel e pelos
outros 11 crimes dos quais era acusado. A sentença foi proferida pela
juíza Milena Dias no Fórum de Santo André, no ABC paulista, onde o
julgamento começou na manhã de segunda-feira (13).
Além do cárcere e assassinato de Eloá Cristina, Lindemberg foi
considerado culpado pelo crimes de: tentativa de homicídio qualificado
por motivo torpe contra Nayara Rodrigues da Silva, amiga de Eloá; por
outra tentativa de homicídio qualificado, com finalidade de assegurar a
execução de outros crimes, contra o policial militar Atos Antonio
Valeriano; cárcere privado de Nayara e dos adolescentes, colegas de
Eloá, Victor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira; cárcere de
Ronikson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá; e disparos de arma de
fogo.
Apesar da pena ser de mais de 98, pela lei brasileira, o condenado só pode ficar 30 anos na cadeia.
No entendimento da juíza, o réu agiu de forma fria e premetida e não
admiu que Eloá poderia, por vontate própria, terminar o relacionamento.
Os jurados encerraram a votação na sala secreta por volta de 16h50.
Após as argumentações dos dois lados, a promotora Daniela Hashimoto não
quis usar seu direito de réplica e a juíza elaborou 49 perguntas para
que os jurados votassem. Veja a lista de questionamentos.
Debates
Na manhã desta quinta, foram realizados os debates entre acusação e
defesa. Nesta fase, cada parte teve cerca de uma hora e meia para expor
seus argumentos sobre o crime.
A advogada Ana Lucia Assad
foi a última a falar. Durante sua argumentação, ela afirmou que seu
cliente Lindemberg Alves só é "a bola da vez" da imprensa porque é
pobre.
- Ele é a bola da vez porque ele é pobre. Ele não tinha respaldo como o
Pimenta Neves teve para aguardar a decisão da Justiça em prisão
domiciliar como o Pimenta Neves. Ele é morador de periferia.
Veja fotos do 4º dia do júri
Para Ana Lucia, o caso é uma "aberração judicial" porque Lindemberg
tinha todos os requisitos para responder ao processo em liberdade ou
prisão domiciliar. Segundo a advogada, "depois que ele foi manchado pela
imprensa" nenhum juiz teria coragem de ir contra ao clamor popular e
deixar Lindemberg livre.
A defensora chegou a afirmar que a imprensa e a Polícia Militar seriam
as "responsáveis morais" pela tragédia ocorrida no apartamento de Eloá
Cristina Pimentel em Santo André, no ABC paulista, em outubro de 2008.
- Judicialmente, não posso colocar imprensa e PM ao lado dele
[Lindemberg]. Mas moralmente, eu posso [...] Esse caso só é esse caso
por causa da repercussão da mídia. Eu acho que não deveria ter algo mais
importante para eles noticiarem [na época] Mas isso é só um desabafo.
Ana Lucia também não pediu a absolvição de seu cliente porque ele "tem
que pagar pelo que realmente fez". A defensora reconheceu que Lindemberg
é culpado pela morte de Eloá, mas disse que ele não tinha a intenção de
cometer o crime. Ela pediu para que seu cliente seja condenado por
crime culposo, e não doloso (quando há intenção). A característica
"dolosa" de um crime aumenta a pena do culpado.
Ao longo de sua explanação, que começou por volta das 11h50 e terminou
às 13h27, a advogada também tentou retirar a culpa de Lindemberg de
parte dos 12 crimes de que ele é acusado.
Promotoria
Antes de Ana Lucia, foi a vez da promotora Daniela Hashimoto, fazer sua
argumentação. Em cerca de uma hora e meia (das 9h50 às 11h30), ela
defendeu a tese de que o réu não agiu “no susto” quando disparou contra a
adolescente Eloá. Segundo Daniela, Lindemberg teria tido tempo de se
refugiar após a polícia ter explodido a porta do apartamento de Eloá e
invadido o local e, só em seguida, ele teria atirado na vítima. Com
isso, de acordo com a promotora, a afirmação feita pelo réu durante seu
interrogatório na quarta-feira (15) - de que atirou contra sua ex-namorada sem pensar - não é verdadeira.
- É esse rapazinho bonzinho que veio fazer um pedido de perdão sincero?
Hoje, no dia fatal, ele resolveu pedir perdão? Caberá aos senhores
analisar a sinceridade ou não.
Em sua argumentação, a promotora também tentou derrubar outra tese da
defesa de Lindemberg, de que ele não teria ficado segurando a arma o
tempo todo durante o cárcere dos adolescentes. Em seu depoimento na
segunda-feira (primeiro dia do júri), Nayara Rodrigues disse que tinha sido amarrada por Lindemberg ao mesmo tempo em que ele segurava uma arma. Na ocasião, a defesa tentou desqualificar o testemunho de Nayara dizendo que era impossível o rapaz amarrar a adolescente e segurar um revólver ao mesmo tempo.
Nesta quinta, Daniela Hashimoto levou a arma do crime novamente ao júri e
mostrou para as pessoas dentro da sala de audiência que era possível
amarrar uma pessoa e segurar uma arma ao mesmo tempo. Ela chegou a
simular o episódio com um dos jurados.
Daniela Hashimoto narrou para os jurados toda a cronologia do cárcere em
Santo André, que durou cerca de cem horas. Ela "reconstruiu" o
sequestro, mostrou fatos como a hora em que os quatro jovens estavam sob
o poder de Lindemberg, contou parte dos diálogos ocorridos dentro do
imóvel, e terminou sua argumentação no momento dos disparos feitos
contra Eloá e Nayara.
- A única pessoa que tinha arma calibre 32 era Lindemberg [...] Eloá nada mais era do que um objeto.
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